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Por Giovana Gaiolli | 28/09/2026 às 16:40

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Unsplash/Pandhuya Niking
O imaginário gamer foi construído em torno de uma ideia fixa: o "setup dos sonhos", aquele computador montado com o melhor de cada categoria, parado sobre a mesa, esperando a próxima sessão de jogo. Essa imagem ainda existe, mas deixou de ser o centro da experiência, pois o jogador de hoje não pensa mais em um único ambiente perfeito, mas sim em continuidade. Começar uma partida no notebook durante um trajeto, retomar no desktop à noite, avançar em um handheld no sofá e, em alguns casos, nem precisa que o jogo esteja instalado, graças ao cloud gaming. O que mudou não foi o desejo de performance, mas como ela precisa se adaptar à rotina de quem joga.
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Segundo a Pesquisa Game Brasil 2026, o PC já responde por 21,2% da preferência de plataforma entre os brasileiros, um salto puxado principalmente pela Geração Z, que hoje representa 36,5% do público entrevistado, reforçando a presença de uma geração que transita entre diferentes dispositivos e valoriza aspectos como personalização e multifuncionalidade. Ao mesmo tempo, o celular segue relevante. Um levantamento da Samsung Ads mostrou que 81% dos gamers brasileiros consomem regularmente pelo menos três tipos de plataforma: jogos, streaming e TV, somando mais de 375 milhões de horas mensais de uso combinado. Os dados revelam como o consumo digital desse público já não está concentrado em um único dispositivo ou formato.
A flexibilidade virou parte da experiência gamer
Esse comportamento reflete uma mudança mais profunda do que uma simples preferência de hardware. O jogador não quer mais escolher entre "jogar bem" e "jogar onde estiver", ele busca combinar as duas experiências e espera que as diferentes plataformas acompanhem essa dinâmica. É nesse contexto que handhelds ganham espaço, o cloud gaming amplia suas possibilidades e cresce o interesse por diferentes dispositivos que podem cumprir papéis complementares na experiência de jogar.
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Há também um reflexo direto dessa mudança na forma como o computador é usado para além do jogo. Streaming, criação de conteúdo, edição de vídeo, produtividade e, mais recentemente, ferramentas de inteligência artificial passaram a dividir espaço com o game rodando em segundo plano. O gamer de 2026 não é mais um usuário de uma única tarefa, mas sim alguém que exige que o mesmo equipamento sustente longas sessões de jogo, uma live simultânea e, depois, um trabalho de edição ou um upload de conteúdo para redes sociais. Essa sobreposição de usos é, provavelmente, o maior motivo pelo qual "ter o setup perfeito" deixou de fazer sentido. O setup ideal de ontem já não dá conta da rotina de hoje.
Essa mobilidade também aparece em pesquisas internacionais. Um estudo da Niko Partners sobre o Leste Asiático mostrou que mais de 90% dos gamers de PC sul-coreanos e mais de 70% dos gamers mobile japoneses já jogam em múltiplas plataformas, crescimento de até 30% em relação ao ano anterior. É um indício de que a hibridização não é um fenômeno isolado do Brasil, mas uma tendência estrutural da indústria, fomentada por um público que valoriza mais continuidade de progresso e liberdade de escolha do que fidelidade a um único formato.
Por isso, quando penso no consumidor gamer atual, prefiro não o colocar como alguém que precisa ser convencido a escolher uma plataforma definitiva. Trata-se de alguém que já escolheu a flexibilidade como valor central e vai continuar migrando entre telas, formatos e contextos de uso. O papel do mercado, daqui para frente, é acompanhar esse movimento, e não tentar revertê-lo.
Confira também como a geração que cresceu jogando está chegando aos cargos de decisão.


