Encontro com presidenciáveis foi cancelado pela Globo após uma série de decisões judiciais

2 out 2026 - 04h58

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- Por: Maria Clara Andrade

- Por: Gabriel Gatto

- Por: Vanessa Ortiz

- Por: Beatriz Araujo

Globo cita ‘insegurança jurídica’, ‘interferência indevida’ e cancela debate com presidenciáveis:

Com o cancelamento do debate com candidatos à Presidência da República da TV Globo, na reta final da corrida eleitoral, o eleitor indeciso fica com menos informações, os candidatos dão menos explicações e um espaço democrático importante é afetado --é o que comentam especialistas ao Terra. A decisão da emissora aconteceu na quinta-feira, 1º, faltando menos de uma hora para o início da transmissão, após decisões de Justiça mudarem regras estabelecidas para a programação.

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“É uma noite triste para o País”, aponta o cientista político Sérgio Praça, professor visitante da Unifal-MG, que comenta que a corrida eleitoral está muito tumultuada. Para ele, o eleitor indeciso acaba sendo sim o mais prejudicado com esse cenário, mas não é o único. “Todo mundo é meio indeciso até o dia da urna. Ainda dá tempo de mudar de ideia, dá tempo de pensar mais, considerar vários fatores [...] Isso é uma parte muito importante na democracia.”

Para Praça, é grave a situação de instabilidade jurídica a ponto de não conseguir tocar um debate para Presidência da República, visto que as regras são muito claras.

Lula fala em ‘preconceito muito grande’ ao citar debate da Globo em 2006: ‘Com o Lulinha pode tudo’:

Adriane Buarque, coordenadora do Esfera Lab, laboratório de pesquisa em comunicação política e pública da ESPM, também entende que a situação é ruim para o eleitor indeciso. Ela cita que, nessa reta final, os resultados de pesquisas de intenção de voto também são um fator importante para tomada de decisão, por costumarem influenciar no chamado "voto útil". Mesmo assim, sem o debate, um espaço democrático acaba sendo perdido no processo.

“O eleitor perdeu um pouquinho esse espaço democrático de direito, que é o do debate, em que ele ali vai entender quem são os candidatos. Ele vai debater dentro do Twitter”, analisa.

Globo cancelou debate presidencial na noite desta quinta-feira, 1º

Foto: Manoella Mello/Globo

Já Carolina Venuto, advogada especialista em direito público e sócia-diretora da ÉTICA Inteligência Política, chama a atenção para a insegurança jurídica gerada pela mudança de regras, por decisão do judiciário.

“Quando as regras previamente conhecidas por todos os candidatos são alteradas na reta final para atender a uma situação ou a um interesse específico, via interferência judicial, de fato, cria-se um problema de previsibilidade que vai muito além desse debate e pode alcançar, inclusive, a própria lisura da condução do pleito em si.”

- No caso, ocorreram duas interferências principais que afetaram a noite desta quinta-feira. A primeira foi assinada pela ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), atendendo a um pedido da coligação da candidatura de Lula (PT) que torna inválido o item das regras do debate sobre candidatos ausentes. No caso, foi proibido que o púlpito vazio de Lula, que não iria comparecer ao debate, fosse mantido no cenário com uma placa que o identificasse.

- Em paralelo, houve uma intimação proferida pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), atendendo um pedido do partido Solidariedade, com relação à participação de Renan Santos (Missão) na transmissão. Pelas regras do TSE, devem ser convidados para os debates obrigatoriamente apenas os candidatos de partidos com representação de pelo menos cinco parlamentares no Congresso Nacional. Na decisão, a participação de Renan foi assegurada -- mesmo com seu partido tendo apenas um parlamentar representado no Congresso.

Em nota, ao anunciar o cancelamento do debate, a Globo afirmou ter longa tradição na organização de debates eleitorais, que seu propósito é "promover a discussão de ideias para o Brasil" e que seu dever é "promover a democracia". "Mas as sucessivas decisões judiciais tomadas momentos antes da realização do debate causam insegurança jurídica e representam uma interferência indevida na liberdade que os veículos de imprensa tem de organizar os debates eleitorais. Por essa razão, a Globo decidiu cancelar o debate desta noite", afirmou a emissora.

Flávio Bolsonaro cita ‘censura’ após cancelamento de debate na Globo e não menciona desistência em live:

Participariam Augusto Cury (Avante), Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD) e, considerando a decisão do STF, Renan Santos (Missão). Lula, que já tinha informado que não iria, foi entrevistado no Flow, no YouTube, no mesmo horário em que aconteceria a transmissão da Globo. Já Flávio Bolsonaro (PL) desistiu de ir à Globo de última hora, alegando “censura imposta ao evento”.
Flávio Bolsonaro exibe púlpito vazio de Lula em live após decisão do TSE:
Fonte: Portal Terra
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