Banu Mushtaq (Carnataca, 3 de abril de 1948) é uma escritora, ativista e advogada indiana de língua canaresa. Ela é mais conhecida por Heart Lamp, uma seleção dos seus contos traduzida por Deepa Bhasthi, que ganhou o Prémio Internacional Booker em 2025. Publicou seis colectâneas de contos, um romance, uma colectânea de ensaios e uma colectânea de poesia. A sua obra foi traduzida para urdu, hindi, tâmil, malaiala e inglês.
Percurso Banu Mushtaq nasceu numa família muçulmana em Hassan, Carnataca, a 3 de abril de 1948. Quando tinha oito anos, Mushtaq foi matriculada numa escola missionária de língua canaresa em Shivamogga, com a condição de que ela deveria aprender "a ler e escrever canarês em seis meses"; ela superou as expectativas ao começar a escrever depois de alguns dias de aulas. Ao contrário do que é comum na sua comunidade, ela frequentou a universidade e casou-se por amor aos 26 anos. Ela foi repórter do jornal Lankesh Patrike e, durante alguns meses, trabalhou para a All India Radio em Bengaluru. Desde a década de 1980, Mushtaq está envolvida em movimentos activistas que trabalham para minar o "fundamentalismo e as injustiças sociais" em Carnataca. Em 2000, foi anunciado um "boicote social" de três meses contra Mushtaq e a sua família, pelo facto de defender o "direito das mulheres muçulmanas de entrar nas mesquitas". Durante esse período, recebeu telefonemas com ameaças e um homem tentou esfaqueá-la, mas foi impedido pelo seu marido. No início dos anos 2000, Mushtaq juntou-se ao grupo da sociedade civil Komu Souhardha Vedike para protestar contra os esforços de impedir os muçulmanos de visitar um santuário sincrético em Baba Budangiri, distrito de Chikmagalur. Mushtaq apoiou o direito das estudantes muçulmanas de usar hijab nas escolas, o que foi contestado em Carnataca. Mushtaq fala canarês, hindi, urdu dakhni e inglês.
Escrita Mushtaq interessou-se pela escrita desde jovem, mas só se tornou escritora aos 29 anos, logo após ter sido mãe e sofrer de depressão pós-parto. Mushtaq recorreu à escrita para explorar os seus sentimentos e experiências. Grande parte de sua obra aborda questões femininas. Mushtaq publicou seis colectâneas de contos, um romance, uma colectânea de ensaios e uma colectânea de poesia. A sua obra foi traduzida para urdu, hindi, tâmil e malaiala, bem como o inglês. O seu conto Karinaagaragalu foi adaptado para o filme canarês Hasina, de 2003, dirigido por Girish Kasaravalli.
Heart Lamp O primeiro livro de Mushtaq a ser traduzido para o inglês foi Heart Lamp: Selected Stories (publicado pela editora And Other Stories, 2025), uma seleção de histórias centradas em mulheres de comunidades muçulmanas no sul da Índia. A tradutora, Deepa Bhasthi, começou a traduzir a obra de Mushtaq para o inglês em 2022. Bhasthi selecionou os doze contos do volume das seis colectâneas que Mushtaq publicou entre 1990 e 2023. Em maio de 2025, Heart Lamp ganhou o Prémio Internacional Booker de 2025. Mushtaq foi a primeira escritora de língua canaresa a ter sua obra nomeada para este prémio. Deepa Bhasthi foi a primeira tradutora indiana a ganhar este prémio, bem como foi a primeira coletânea de contos a ganhar o prémio. As histórias da colecção refletem a vida de Mushtaq como jornalista e advogada, com foco nos direitos das mulheres e na resistência à injustiça de casta e religiosa na sua região do país. O presidente do júri do Booker International, Max Porter, disse que o Heart Lamp é "um livro verdadeiramente especial do ponto de vista político", cujas histórias "retratam o feminismo pelo qual [Mushtaq] é conhecida. E contêm relatos extraordinários sobre os sistemas patriarcais e a resistência". O jornal britânico The Guardian comentou que o "tom varia do tranquilo ao cómico, mas a visão é consistente" e chamou-a de "uma colecção maravilhosa".
Prémios e reconhecimento 1999: Prémio da Academia de Literatura de Karnataka Prémio Daana Chintamani Attimabbe 2024: Prémio PEN de Tradução para Inglês, pela tradução de Deepa Bhasthi de Haseena e Outras Histórias 2025: Prémio Internacional Booker para Heart Lamp, traduzido por Deepa Bhasthi
Controvérsia A decisão do governo do Congresso de convidar Banu Mushtaq para dar início às celebrações do Dasara de Mysore, que envolviam a puja à Deusa Bhuvaneshvari, foi recebida com oposição a 22 de setembro de 2025, quando um vídeo dela criticando a devoção à língua Kannada na forma da Deusa Bhuvaneshwari viralizou. Ela respondeu dizendo ao jornal The Hindu: "Políticos no ativo devem ter noção do que deve ser politizado e do que não deve ser politizado."
Publicações ಹಸೀನಾ ಮತ್ತು ಇತರ ಕಥೆಗಳು [ Hasīna mattu itara kathegaḷu ] (compilação, Abhiruchi Prakashana, 2013),OCLC 896807078 Haseena and Other Stories (traduzido por Deepa Bhasthi, 2024) Heart Lamp: Selected Stories (compilação, traduzida por Deepa Bhasthi, And Other Stories, 2025),
Referências

