A Batalha de Mascate , no golfo de Omã, ocorreu em 1552, quando uma frota otomana sob o comando de Piri Reis atacou e saqueou a cidade dos portugueses. Esses eventos seguiram a importante derrota otomana no terceiro cerco de Diu em 1546, que pôs fim às suas tentativas na Índia, mas também a bem-sucedida conquista de Adem em 1548, que permitiu aos otomanos resistir aos portugueses na parte noroeste do Oceano Índico.
Contexto A cidade, que outrora fez parte do Reino de Ormuz, esteva em mãos portuguesas desde 1507, quando uma frota portuguesa sob o comando de Afonso de Albuquerque conquistou a cidade. Os otomanos tentaram intervir contra a presença portuguesa e quatro navios otomanos bombardearam a cidade em 1546. A cidade foi novamente atacada pelos otomanos em 1552 como parte de um conflito mais amplo sobre o Golfo Pérsico e o Oceano Índico. Desta vez, atacaram com uma frota maior sob o comando de Piri Reis e Seydi Ali Reis. O seu objetivo final era tomar as ilhas de Ormuz e Bahrein, a fim de bloquear o acesso português ao Golfo Pérsico e, assim, restabelecer o controlo otomano do comércio no Oceano Índico.
Batalha A força otomana era composta por 4 galeões, 25 galeras e 850 soldados (segundo Diogo do Couto, os otomanos tinham 15 galeras e 1200 soldados). O inacabado Forte Al-Mirani foi sitiado durante 18 dias com uma peça de artilharia otomana posicionada no topo de uma colina. A guarnição portuguesa de 60 homens e o seu comandante, João de Lisboa, estavam a ficar sem comida e principalmente sem água. Os turcos mandaram então como emissário, João da Barca um renegado ao serviço dos otomanos, que lhes prometeu a vida e a liberdade. João de Lisboa receoso, negociou diretamente com o paxá que não só lhe confirmou as promessas do renegado como até passou-lhe um salve-conduto para ele e os seus homens. João de Lisboa desta convencido mandou sair a guarnição do forte que foram logo, por traição, todos presos e metidos nos bancos da galé. Por fim, os otomanos conseguiram ocupar e controlar as costas do Iémen, de Adem e da Arábia, até ao norte de Baçorá, de modo a facilitar o seu comércio com a Índia e impedir que os portugueses atacassem o Hejaz.
Consequências Os otomanos atacaram novamente as possessões portuguesas na costa da Índia em 1553, com um ataque à Costa da Pesca de Pérolas do Sul da Índia, perto de Tuticorim. Eles foram auxiliados pelos muçulmanos Marakkar de Malabar e contaram com o acordo tácito de Vittula Nayak de Madurai. 52 portugueses foram capturados em Punnaikayal e as igrejas foram incendiadas. Os otomanos, no entanto, fracassaram em 1553 contra uma frota portuguesa no mar perto de Al-Fahl. Seydi Ali Reis e suas galeras seriam atacados na batalha do Golfo de Omã pelas forças portuguesas enquanto ele tentava trazer sua frota de Baçorá para Suez em agosto de 1554. Três galeras otomanas ocupariam novamente Mascate em 1581, permitindo que a população escapasse, antes que a cidade caísse novamente na posse dos portugueses em 1588.
Ver também Guerra Turco-Portuguesa
Referências

