Mirelle Pinheiro

Ao determinar a soltura do trio, em 3 de setembro, o juiz Aimar Neres de Matos estabeleceu oito medidas cautelares

Mirelle Pinheiro
24/09/2026 07:56
Reprodução
José Maurício Volpato, um dos ex-sócios da Naskar Gestão Ltda. investigados pelo desaparecimento de cerca de R$ 900 milhões de mais de 3 mil clientes, voltou a ser preso pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) nesta quinta-feira (24/9), em São Paulo.
Volpato havia deixado a prisão no início deste mês, após a Justiça do Distrito Federal revogar a prisão preventiva dele e dos também ex-sócios Marcelo Liranco Arantes e Rogério Vieira.
A coluna apurou que a nova prisão ocorreu após Volpato descumprir as medidas impostas pela Justiça para permanecer em liberdade. Segundo fontes ouvidas pela reportagem, ele tentou movimentar uma conta bancária, apesar das restrições determinadas no processo.
Ao determinar a soltura do trio, em 3 de setembro, o juiz Aimar Neres de Matos estabeleceu oito medidas cautelares. Entre elas estava a suspensão do exercício de atividades empresariais e financeiras relacionadas aos fatos investigados. Também foram mantidos bloqueios, arrestos e indisponibilidades de patrimônio anteriormente determinados pela Justiça.
A decisão ainda proibia os investigados de manter contato com vítimas, testemunhas e outras pessoas relacionadas ao caso, acessar empresas envolvidas na investigação, deixar a comarca sem autorização judicial e determinava recolhimento domiciliar durante a noite e nos dias de folga.
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Volpato, conhecido como Maurício Jahu, é ex-jogador de vôlei e teve passagens pela Seleção Brasileira na década de 1980. Ele também trabalhou como apresentador da ESPN Brasil por cerca de 20 anos antes de atuar no mercado financeiro.
Caso Naskar
A Naskar Gestão de Ativos chegou a manter sede no Distrito Federal e posteriormente passou a funcionar em São Paulo. A empresa captava recursos de clientes com a promessa de rendimento de 2% ao mês.
Segundo a investigação, a empresa operou durante aproximadamente 13 anos até deixar de pagar os rendimentos aos clientes em maio. Mais de 3 mil investidores teriam sido atingidos, com prejuízos estimados em aproximadamente R$ 900 milhões.
Volpato, Marcelo Liranco Arantes e Rogério Vieira foram presos em São Paulo durante a investigação. Eles permaneceram cerca de um mês detidos até serem soltos em setembro.
Na decisão que colocou os três em liberdade, o juiz considerou, entre outros fatores, que a investigação havia sido formalmente encerrada em 28 de agosto e que celulares, computadores, documentos e outros materiais de interesse já estavam apreendidos.
O magistrado também registrou, naquele momento, que não havia notícia de tentativa de interferência na investigação, constrangimento de testemunhas ou risco concreto de fuga. A liberdade, no entanto, ficou condicionada ao cumprimento das medidas cautelares.

