Nos últimos anos, o cuidado com a pele ganhou espaço na rotina e nas redes sociais, com rotinas cada vez mais longas e novos produtos surgindo com frequência. O skincare virou hábito para muita gente, especialmente quando o assunto é rosto e aparência. Mas, em meio a tantas etapas e recomendações, o cuidado pode acabar passando do ponto.Segundo especialistas, não existe um número fixo de produtos que define uma rotina como excessiva. O problema começa quando o uso deixa de ter uma função clara ou passa a causar reações na pele.“O excesso começa a ser um problema quando se usam produtos sem indicação ou quando a pele passa a apresentar sinais como ardor, vermelhidão, descamação e aumento da sensibilidade”, explica o dermatologista Rafael Parisi, do Hospital Brasília. Leia também Vida & EstiloSkincare com sardinha: médica comenta riscos de nova tendência das redes Vida & Estilo5 erros de skincare que podem comprometer os cuidados com a pele Vida & EstiloSkincare infantil é trend nas redes, mas há riscos? Expert responde Vida & EstiloNick Jonas revela como a paternidade influencia sua rotina de skincare Ele afirma que uma rotina básica costuma ser suficiente para a maioria das pessoas, com limpeza, hidratação e proteção solar. Outros produtos devem ser incluídos apenas quando há uma necessidade específica.Mais produtos não significam mais resultadoA popularização de rotinas com várias etapas pode levar ao uso combinado de ativos que a pele não tolera. Ácidos, retinoides e outros produtos, quando usados em excesso ou sem orientação, podem comprometer a barreira cutânea.“O uso exagerado pode provocar irritação, ressecamento e até o efeito contrário ao desejado, prejudicando a qualidade da pele”, afirma Parisi.Além disso, uma rotina extensa e mal planejada pode agravar problemas já existentes. Acne, rosácea e dermatites podem piorar quando há excesso de produtos ou escolha inadequada para o tipo de pele. “Em alguns casos, simplificar a rotina é parte do tratamento”, diz o dermatologista.Influência das redes e padrão de perfeiçãoO comportamento em torno do skincare não envolve apenas a pele, mas também a forma como a pessoa se relaciona com a própria imagem. Para a psiquiatra Priscila Rocco, do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, o cuidado passa a exigir atenção quando começa a afetar a rotina.“O problema surge quando há sofrimento ou prejuízo nas relações e nas atividades do dia a dia”, afirma.Ela explica que o excesso pode aparecer como um padrão repetitivo, difícil de interromper, em que a pessoa sente que nunca fez o suficiente. O comportamento pode estar ligado à ansiedade, à compulsão ou ao transtorno dismórfico corporal.As redes sociais também influenciam essa percepção. “As pessoas passam a se comparar com imagens produzidas, muitas vezes editadas, que não refletem a aparência real”, diz.Quando é hora de rever a rotinaAlguns sinais indicam que o skincare pode estar deixando de ser um cuidado saudável. Entre eles estão irritações frequentes na pele, uso constante de novos produtos sem orientação e preocupação excessiva com a aparência.Também chama atenção quando a pessoa evita compromissos ou dedica grande parte do tempo à rotina de cuidados.“O ideal é que o skincare tenha uma função clara e seja compatível com a rotina e com o tipo de pele”, afirma Parisi.Para os especialistas, uma rotina simples, bem indicada e tolerada pela pele tende a trazer melhores resultados do que o acúmulo de produtos sem critério.








