Jovem relatou estar vivendo "coisas graves" e que "não aguentava mais"; depois, enviou à família mensagens em tom de despedida

27 set 2026 - 23h11

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- Por: Redação Terra

Isabelle Caracristi se queixou de comportamento controlador do namorado

Foto: Reprodução

A estudante de Direito Isabelle Caracristi, de 22 anos, se queixou a familiares e amigas sobre ameaças e o comportamento controlador do namorado, João Munhoz Neto, na noite em que morreu. As mensagens foram obtidas pelo Fantástico, da TV Globo, e exibidas no programa deste domingo, 27. Em um áudio enviado ao primo minutos antes da queda do terraço do prédio onde morava, em um bairro nobre de Fortaleza, ela afirmou: "Eu simplesmente não estou suportando mais". João está preso e é investigado pela morte da jovem. A defesa dele nega qualquer envolvimento no óbito da estudante.

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Na mensagem ao primo, Isabelle contou que vinha guardando situações graves. "Em hipótese alguma apague o áudio que eu vou mandar hoje. Estão acontecendo coisas sérias, coisas graves, que eu venho guardando só para mim. São ameaças diretas vindas dele, entendeu? Que eu simplesmente não estou suportando mais. Dê muita força para minha mãe. Ela vai precisar".

Outras mensagens mostram que a estudante também contou às amigas sobre o relacionamento. Já na cobertura do edifício, ela afirmou que estava passando mal e chamou João de "louco". "Eu não tô legal. Eu tô passando muito, muito mal. Eu até mandei um áudio pro meu primo e pra algumas pessoas da família, porque simplesmente esse João é um louco, é um louco", afirmou.

Em outro relato, Isabelle disse que era impedida de sair sozinha do próprio prédio e que o namorado chegava a permanecer na porta para impedir sua passagem. Além disso, relatou que ele não gostava nem que ela postasse fotos. "Eu simplesmente não aguento mais, eu não aguento mais. Eu estou cansada. Hoje foi a gota d 'água", relatou.

Mensagens mostram cobranças financeiras

Conversas entre Isabelle e João no dia da morte também revelam uma cobrança de R$ 13,5 mil feita pelo namorado. Ele afirmou que precisava ainda do dinheiro da mãe dele até quarta-feira. Isabelle respondeu que havia tido gastos durante a semana, enquanto João disse que os dois estavam em um "beco sem saída" e que precisavam do dinheiro.
A advogada da família confirmou que houve um empréstimo, mas afirmou que, depois da movimentação financeira, a postura de João passou a ser mais controladora. "Ele transforma a generosidade com outros pedidos: 'Eu confio em você, me passa a localização. Eu te dei dinheiro. Por que você não me desbloqueia?'. Ela mostrava um cansaço absoluto", afirmou.
Em depoimento à Polícia, João disse ter emprestado pouco mais de R$ 14 mil a Isabelle, enquanto a mãe dele teria emprestado outros R$ 7 mil. Ele negou ameaças e afirmou que a cobrança mais firme ocorreu quando o prazo para pagamento venceu, mas sem agressões.
Polícia tenta reconstruir últimas horas
Imagens de câmeras de segurança mostram Isabelle chegando ao prédio com João e subindo para o apartamento, no 15º andar. Ele deixou o local para ir à missa, enquanto ela permaneceu no imóvel. Às 19h12, a jovem foi registrada pela última vez no elevador.
Segundo a investigação, entre a subida para a cobertura e o horário estimado da queda, às 20h40, Isabelle passou boa parte do tempo enviando mensagens, inclusive ao primo e à mãe.
A perícia concluiu que a queda foi uma precipitação voluntária e não encontrou indícios de que Isabelle tenha sido empurrada. Também não foram identificadas lesões de defesa que apontassem para uma luta corporal.
O perito Wellison da Silva Tavares, coordenador da perícia técnica, afirmou que a velocidade do impacto ficou em torno de 130 km/h. Segundo ele, a jovem caiu em posição vertical e a extremidade da laje técnica do edifício estava alinhada ao ponto de impacto. "No caso de um confronto, de uma luta corporal, você teria um vetor de força horizontal aqui tentando jogar ela contra essa grade", afirmou.
A Polícia analisa pelo menos 700 vídeos de câmeras de segurança do prédio. Não há equipamentos no terraço nem nas escadas.
João estava com a ex-mulher na noite que jovem morreu
A investigação também tenta esclarecer o que João fez depois de deixar Isabelle no apartamento. Registros obtidos pelo Fantástico mostram que ele saiu da igreja acompanhado da ex-mulher, com quem fez um lanche em uma praça.
A advogada de João confirmou que ele ainda é casado com outra mulher, mas afirmou que os dois estavam separados. A defesa da família de Isabelle disse que a jovem questionou o relacionamento diversas vezes e que João negava manter contato com a ex-mulher.
Depois de receber a notícia da morte de Isabelle, João pediu um carro de aplicativo até a rodoviária, no mesmo bairro. De lá, entrou sozinho no carro do irmão e seguiu para o prédio onde morava.
"Ele não me ligou. Eu estava dormindo. Quando eu vejo, foi uma ligação de um número desconhecido. Porque, se fosse ele me ligando, o número era conhecido, eu teria imediatamente atendido. E eu tive que ir lá para saber da morte da minha filha", contou ao Fantástico Isorlanda Caracristi, mãe de Isabelle.
A Polícia ainda tenta determinar exatamente quando João soube da queda. O delegado Márcio Gutierrez afirmou que os investigadores analisam o celular dele, que reúne mais de 400 mil mensagens, além de e-mails e dados de localização.
No dia seguinte à morte, João retornou ao edifício para procurar o celular de Isabelle. Segundo a investigação, ele pediu que o apartamento fosse limpo, retirou objetos e colocou o imóvel à venda. A síndica também relatou que ele pediu ao porteiro que verificasse se o celular da jovem estava nas lixeiras e proibiu a entrada da família dela no prédio.
Até o momento, 25 pessoas foram ouvidas pela Polícia.
Relação também envolvia ambiente de trabalho
Isabelle e João se conheceram em um escritório de advocacia onde ele era gestor e ela trabalhava como estagiária. O dono do escritório, Rudá Bezerra de Carvalho, afirmou em depoimento que a jovem o procurou para dizer que se sentia "sufocada" profissionalmente pelo namorado.
Segundo o relato, João não permitia que Isabelle participasse sozinha de audiências ou realizasse determinadas atividades de forma independente.Para o delegado Márcio Gutierrez, os elementos reunidos até agora apontam para uma relação marcada por controle e limitação.
"A violência psicológica está ali presente nos indícios que nós tínhamos e temos até hoje, no momento, nessa relação de controle, relação de limitação", afirmou.
A defesa de João nega as acusações de controle e abuso psicológico. Segundo os advogados, o relacionamento era recente e Isabelle tinha liberdade para ir e voltar ao apartamento dele.
Últimas mensagens
Antes de morrer, Isabelle também enviou uma mensagem de despedida ao irmão e à mãe. Ela pediu perdão, disse que havia sido vencida pelo medo e declarou que os amava. Também pediu ao irmão que protegesse a mãe e fosse forte.
A mãe da jovem afirmou que deseja que a morte da filha não seja tratada apenas como mais um caso. "Eu quero que isso que aconteceu com minha filha, essa relação abusiva, controladora, não se repita".
A advogada de defesa de João Munhoz entrou com um pedido de habeas corpus para que ele deixe a prisão.
Fonte: Portal Terra
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