Do total de 645 municípios do estado de São Paulo, somente 135 têm unidades de Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs). Os outros 510 não têm uma unidade especializada da Polícia Civil para atender ocorrências como violência doméstica e feminicídio, a não ser as Salas DDMs, instaladas em distritos policiais comuns e presentes em 235 cidades – equivalente a 36% do território paulista.Os dados da Secretaria da Segurança Pública (SSP) revelam ainda que, do total de 144 DDMs no estado, apenas 34 funcionam 24 horas. As outras 110 não têm atendimento à noite e aos finais de semana.Nesses períodos, aumenta o número de ocorrências envolvendo violência de gênero em todo o país, como mostra o Monitor de Feminicídios no Brasil feito pela Universidade Estadual de Londrina (UEL).Segundo a pesquisa, que utilizou dados de 2024, a média de feminicídios tentados e consumados de segunda a sexta é de 514 casos por dia – total que aumenta quase 50% e vai para 766, em média, aos sábados e domingos.A militante Gabriela Mariel, de 33 anos, foi vítima de feminicídio em uma madrugada de junho do ano passado em Mauá, na região metropolitana de São Paulo, cidade que ainda não possuía uma DDM 24 horas, como denunciou o Movimento de Mulheres Olga Benário à época. Outros casos se repetem pelo estado e pelo país.4 imagensFechar modal.1 de 4Ela era uma das lideranças do Movimento de Mulheres Olga Benario no ABC Paulista.Reprodução/Redes sociais2 de 4O crime ocorreu na Marginal Tietê, na zona norte de São Paulo, em 29 de novembroInstagram/ Reprodução3 de 4Reprodução/Redes sociais4 de 4Larissa da Cruz Morata foi encontrada morta na manhã de um domingo. Marido PM foi presoReprodução/InstagramHistórico e produtividade da DDM em SPA primeira DDM surgiu em São Paulo em 1985, durante a gestão André Franco Montoro (PMDB), em uma época em que ainda não havia estatísticas sobre os casos de violência contra a mulher. Mais de quatro décadas depois, o número de delegacias especializadas chegou a 144.As unidades registram, em média, 20 boletins de ocorrência por hora. O dado foi levantado pelo Sindicado dos Delegados de Polícia (Sindpesp) via Lei de Acesso à Informação (LAI), e se refere ao período entre janeiro do ano passado e agosto deste ano.Foram lavrados 183.904 boletins de ocorrência em todo o ano de 2025, e mais 118.012 de janeiro a agosto deste ano. O total (301.916) equivale a 20,7 registros policiais a cada 60 minutos.O sindicato apurou ainda que as delegacias especializadas instauraram 120.733 inquéritos no ano passado e outros 77.316 nos primeiros oito meses deste ano, o equivalente a 13,5 por hora.O Sindpesp também destacou o número de medidas protetivas conferidas pela Justiça após o trabalho das delegacias especializadas. Foram 95.798 no ano passado e 36.702 nos oito primeiros meses deste ano – o equivalente a nove medidas protetivas concedidas por hora.Dados obtidos pelo Metrópoles via LAI revelam ainda que o estado de SP possui 1.667 policiais civis destacados para atender ocorrências relacionadas a violência de gênero. Em 19 cidades paulistas, há menos de 10 agentes destacados, embora a SSP ressalte que todos os policiais militares e civis possam atender casos do tipo.“As demais unidades territoriais da Polícia Civil também têm competência para registrar e atender esses casos, enquanto todo policial militar em serviço operacional deve atender ocorrências de violência doméstica e familiar com prioridade”, diz a SSP.Segundo a secretaria, desde janeiro de 2023, primeiro ano da gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos), a rede especializada foi ampliada em mais de 87%, passando de 202 para 379 unidades (somando DDMs e salas especializadas). Neste meio tempo, foi ampliado o serviço da DDM Online e criado o aplicativo SP Mulher Segura.O aplicativo permite o registro de ocorrências, acesso à rede de atendimento e acionamento do botão do pânico. Até agosto, a plataforma contava com 85,2 mil usuárias ativas, 3,2 mil boletins de ocorrência registrados e 21,4 mil acionamentos do botão do pânico, informou a pasta. Leia também São PauloMaria da Penha: interior de SP puxa alta dos feminicídios no estado São PauloFeminicídios batem recorde em SP com 141 casos no 1º semestre São PauloFeminicídios têm alta de 30% entre janeiro e abril no estado de SP São PauloVicaricídio: entenda o crime ligado à violência contra mulher SSP destaca ações de combate à violência contra a mulherA SSP esclareceu ainda que a Polícia Militar também conta com as Cabines Lilás, que oferecem atendimento especializado por policiais femininas capacitadas. Até agosto, foram realizados 36,6 mil atendimentos, incluindo chamados pelo 190, com orientações sobre medidas protetivas e intervenções policiais.A Patrulha SP Mulher Segura, implantada inicialmente na capital paulista, realiza acompanhamento de mulheres com medidas protetivas, busca ativa e ações de prevenção à reincidência da violência. Entre maio e agosto, foram 378 atendimentos, informou a pasta.A estrutura também inclui cinco Salas Lilás em sedes do Instituto Médico Legal (IML), sendo duas na capital e três no interior, destinadas ao acolhimento prioritário e humanizado de vítimas de violência doméstica. Até agosto, foram realizados 2,4 mil atendimentos.“Na Grande São Paulo, os feminicídios caíram 20,6% de janeiro a julho, na comparação com o mesmo período do ano passado, resultado direto do reforço da rede de proteção e das campanhas de incentivo à notificação dos casos de violência contra a mulher”, informou a secretaria.











