Política / Eleições 2026

Na última eleição, em 2024, 53 zonas eleitorais foram substituídas em dez cidades; agora, são 71 em 20 municípios, alcançando cerca de 202 mil cidadãos fluminenses
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Militares em local de votação na Zona Oeste do Rio — Foto: Pablo Jacob / O Globo
O temor de que a influência de grupos criminosos alcance o processo eleitoral mobilizou o Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ) e a Polícia Militar. Enquanto a Justiça Eleitoral retirou 71 locais de votação de áreas consideradas de alto risco ou sob domínio territorial de organizações criminosas, batalhões pediram reforço de efetivo e planejam operações para o dia da votação em regiões apontadas como sensíveis. Levantamento do GLOBO, com dados do TRE, mostra que, entre os endereços alterados por medida de segurança, 44 ficam em áreas onde o Comando Vermelho (CV) está presente e 16 em regiões associadas ao Terceiro Comando Puro (TCP).
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As mudanças atingem cerca de 202 mil eleitores em 20 municípios do estado, cerca de um quinto dos 92 totais. Sete deles já haviam passado por alterações desse tipo no último pleito, em 2024, quando 53 locais foram substituídos em dez cidades.
O presidente do TRE-RJ, desembargador Claudio de Mello Tavares, afirma que os novos endereços foram escolhidos fora das áreas dominadas por facções, tráfico ou milícias, em locais afastados de confrontos e, sempre que possível, a até 1,5 quilômetro da residência dos eleitores. Segundo ele, em algumas situações registradas na eleição anterior, criminosos intimidaram eleitores na porta dos pontos de votação para direcionar seus votos.
—O objetivo das mudanças é garantir que o eleitor possa votar com tranquilidade, com base em escolhas feitas pela própria consciência. Livre de qualquer tipo de pressão —afirma ele.
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Forças federais
O Tribunal Superior Eleitoral autorizou o envio de forças federais para cinco estados, incluindo o Rio, durante o primeiro turno das eleições, em 4 de outubro. Os pedidos haviam sido previamente aprovados pelos TREs e pelos respectivos governos estaduais.
O levantamento feito pelo GLOBO a partir dos 71 locais alterados mostra a dimensão territorial do problema. Dos endereços retirados, o CV está presente em 44 locais, distribuídos por 15 municípios: Rio de Janeiro (10), Niterói (6), Itaboraí (5), São Gonçalo (5), Rio das Ostras (4), Itaperuna (2), São João de Meriti (2), Rio Bonito (2), Araruama (2), Campos dos Goytacazes (1), Resende (1), Cabo Frio (1), Japeri (1), Macaé (1)e Nilópolis (1).
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Os 16 locais associados ao TCP aparecem em cinco municípios. São sete no Rio e cinco em Campos dos Goytacazes. Volta Redonda tem dois, enquanto Itaperuna e Pinheiral têm um cada.
A presença da milícia de Nova Iguaçu aparece em seis locais: cinco em Nova Iguaçu e um no Rio. Há ainda um ponto em Campos dos Goytacazes associado à ADA e outro, na Zona Oeste do Rio, à Liga da Justiça.
Em Itaguaí, o endereço está situado em uma área de disputa entre TCP e milícia. O levantamento registra ainda um local em Vaz Lobo, na Zona Norte do Rio, como área de divisa entre TCP e CV, e em Bom Jesus do Itabapoana, no noroeste do estado, de disputa entre CV e outras facções.
Aumento de efetivo
Segundo o presidente do TRE-RJ, a mudança permite racionalizar o emprego do efetivo policial. O magistrado relata que, em parte desses endereços, as urnas precisavam ser transportadas em carros blindados e acompanhadas por forte efetivo policial.
Documentos obtidos pelo GLOBO mostram que batalhões já definiram áreas de atenção e solicitaram reforço de efetivo para o primeiro turno. Na Zona Norte, o 41º BPM, por exemplo, solicitou policiais extras para o fim de semana: 147 para sábado e 327 para domingo. A área de atuação inclui bairros como Colégio, Irajá, Vista Alegre, Vila da Penha, Vicente de Carvalho, Vila Kosmos, Guadalupe, Ricardo de Albuquerque, Anchieta, Pavuna, Costa Barros, Barros Filho, Parque Colúmbia e Acari.
O documento do batalhão relaciona 44 comunidades não pacificadas em sua área e aponta como regiões de maior complexidade operacional os complexos do Chapadão, Pedreira e Acari, além da região do Juramento. O comando descreve um “atual cenário de instabilidade territorial”, atribuído a disputas entre grupos criminosos pelo controle e pela expansão de áreas.
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