Blogs / Míriam Leitão

O eleitor terá agora a única chance nesta campanha de conhecer as ideias e as propostas dos candidatos
O eleitor terá agora a única chance nesta campanha de conhecer as ideias e as propostas dos candidatos · Imagem: Source: oglobo.globo.com

Míriam Leitão

O eleitor terá agora a única chance nesta campanha de conhecer as ideias e as propostas dos candidatos
O eleitor terá agora a única chance nesta campanha de conhecer as ideias e as propostas dos candidatos · Imagem: Source: oglobo.globo.com

O olhar único que há 50 anos acompanha o que é notícia no Brasil e no mundo

Exclusivo para assinantes

0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x

00:00

00:00

Lula e Flávio Bolsonaro após apuração dos votos — Foto: Nelson Almeida e Brenno Carvalho

Teremos, com o segundo turno, uma última chance - e a única nesta eleição - de o eleitor brasileiro conhecer as ideias dos candidatos para o Brasil. O presidente Lula está governando, então se sabe o conjunto de ideias que ele representa, além do fato de ser um político conhecido, que governa o Brasil pela terceira vez. Mas é preciso que Lula apresente seus projetos para o futuro e para alguns problemas que estão diante de nós, como a crise fiscal. O candidato Flávio Bolsonaro foi poupado de dizer quais são as suas ideias para o país, diante de uma campanha sem confronto de propostas. Como já escrevi, o fato de as campanhas não terem focado em projetos para o Brasil ajudou muito o lado de Bolsonaro. E, dentro do que o candidato do PL pensa para o Brasil, a principal questão é se ele firmará um compromisso com a democracia, o que até agora não fez. Afinal, Flávio Bolsonaro vem de um campo político que tentou um golpe de Estado.

- Flávio Bolsonaro: 'A palavra é mudança'

- Lula: 'Nós recebemos uma lição da democracia no Brasil'

Não há futuro fácil para o país, qualquer que seja o resultado eleitoral. O presidente Lula, se eleito, terá que lidar com um Congresso muito conservador. A maior bancada é do PL, a oposição vai ser muito ferrenha e será mais difícil construir uma coalizão. Isso significa que Lula, se eleito, pode ter crise de governabilidade. Ele vai precisar de toda a sua capacidade de negociação e construção de alianças, já demonstradas em outros mandatos, para governar com o seu projeto.

Por outro lado, se Flávio Bolsonaro ganhar, há um risco concreto para a democracia, afinal todo o ideário da construção do golpe de 8 de janeiro permanece com ele. Mais do que não ter se afastado desse ideário, Flávio terá mais instrumentos nas mãos do que seu pai teve para realizar o mesmo projeto autoritário. Ele falava que precisava ser eleito alguém que fosse ter uma medida de força contra o Judiciário e uma intervenção nos Poderes. Flávio falou isso em 2025, recentemente, portanto. E ele representa esse risco à democracia.

- Confira: Citados no caso Master vão bem nas urnas; mas Ciro Nogueira não se reelege

De um lado, se tem o risco de crise de governabilidade, a menos que o presidente Lula, se reeleito, consiga fazer essa construção de aliança com o centro, que chamará agora para a campanha. A campanha de Lula vai buscar ainda os 33 milhões de eleitores que não foram às urnas, precisará encantar, ao menos parte deles, com o seu projeto.

Esse é o desafio de Lula. Nunca um candidato que saiu com a segunda posição da votação no primeiro turno ganhou a eleição, desde a redemocratização. Mas precedente existe para ser quebrado, então ele pode fazer isso.

- Veja: O péssimo desempenho dos ministros de Lula nas urnas

Para Flávio Bolsonaro, ele vai ter muitos dos eleitores remanescentes das outras opções da direita. E, além disso, ele saiu na frente, com dois milhões de votos de vantagem. Então, tem mais possibilidade de chegar ao Planalto. Agora, o país, diante dele, tem que ter noção de que ele tem mais instrumentos nas mãos do que Jair Bolsonaro teve para colocar em curso um projeto autoritário.

O Senado ficou muito conservador e o cenário dos estados também mostra uma onda da direita. E o Senado tem a prerrogativa, como já disse, de destituir o ministro do Supremo. Mas ele tem mais do que isso. Um Congresso conservador pode colocar em curso um retrocesso na proteção ambiental; há muitos projetos ruins nas gavetas. Um Congresso com uma bancada tão grande de direita vai ter mais possibilidade de fazer tramitar essas medidas.

- Análise: Se eleito, Flávio Bolsonaro terá maior bancada governista desde a redemocratização

Bancadas tão grandes como a do PL só se viu no começo da redemocratização, com o MDB. O MDB, na época PMDB, tinha bancadas grandes, mas não tinha um candidato competitivo para a Presidência. O PL, se Flávio Bolsonaro for eleito, terá a Presidência e as maiores bancadas. A direita ficou muito forte. Não teria problema se fosse a direita democrática, mas quem lidera o campo da direita no Brasil é um grupo de extrema direita que é antidemocrático. Temos três semanas para ver o que vai acontecer com o Brasil, se Flávio Bolsonaro se compromete com a democracia ou não. Ontem, em seu primeiro discurso após o resultado do primeiro turno, Flávio falou em “resgatar" a democracia, como se a democracia estivesse ameaçada hoje e não com o golpe de Estado que o pai dele tentou. Lula vai ter que encantar eleitores com o projeto de futuro, não adianta falar só do que ele já fez.

Mais recente Próxima Flávio Bolsonaro: 'A palavra é mudança'

- Flávio Bolsonaro

- Lula

- PL