Na mitologia asteca, Tōnacācihuātl foi uma criadora e deusa da fertilidade, adorada por povoar a terra e torná-la frutífera, invocada para tornar a terra fértil e uma distribuidora de frutas. A maioria dos manuscritos da era colonial equipara-a a Ōmecihuātl, ou descreve-a como sua manifestação na terra. Tōnacācihuātl era consorte de Tōnacātēcuhtli. Também é conhecida como Ilhuicacihuātl ou "Senhora Celestial". Tonacacihuatl é retratada no Codex Telleriano-Remensis.

Etimologia O nome do deus é um composto de duas palavras nahuatl: tōnacā e cihuātl. Enquanto cihuātl pode ser traduzido como "mulher" ou "senhora", tōnacā apresenta várias interpretações possíveis. Alguns leem esta raiz como tonacā (sem o 'o' longo), consistindo em nacatl, que significa "carne humana" ou "comida", com o prefixo possessivo to ("nosso"). Por esta etimologia, Tōnacācihuātl significaria "Senhora do Nosso Alimento" ou "Senhora da Nossa Carne", mais comumente traduzida como "Senhora do Nosso Sustento". A palavra tōnac significa simplesmente "abundância", dando Tōnacācihuātl a leitura alternativa "Senhora da Abundância".

Origens e Papel Tōnacācihuātl era a principal divindade criadora do México central e era comum a todas as religiões mesoamericanas. De acordo com o Codex Ríos (Codex Vaticanus 3738), a Historia de los Mexicanos por sus pinturas, a Histoyre du Mechique e o Códice Florentino, Tōnacācihuātl e a sua paredra Tōnacātēcuhtli residiam no Ōmeyōcān, o 13o e mais elevado dos céus, de onde as almas dos homens desciam para a Terra. Está associada à procriação, para a qual é representada na arte pré-colombiana praticando atos semelhantes à cópula. No Códice Florentino, Sahagún relata que as parteiras astecas, depois de banharem o recém-nascido, recitavam: "Nasceste no lugar da dualidade. O lugar acima dos nove céus. O seu pai e a sua mãe — Ometēuctli e Omecihuātl, a Senhora dos Céus — formaram-na, criando-a". Em 1629, Hernando Ruiz de Alarcón relatou o costume de nomear a deusa nos ritos de plantação, durante os quais a semente de milho é confiada à divindade da terra Tlaltecuhtli por um xamã que lhe chama "nohueltiuh Tōnacācihuātl" ("minha irmã, a Senhora da Abundância"). No Códice Chimalpopoca, Tōnacātēcuhtli e Tōnacācihuātl são listados como um dos casais divinos a quem Quetzalcoatl dirige as suas orações.

Notas

Referências