Vinicius Passarelli

Alvo de investigação sobre suposto esquema de desvio na Grande SP, vereador promoveu evento de apoio ao deputado federal Rodrigo Gambale

Vinicius Passarelli

01/10/2026 08:00, atualizado 01/10/2026 08:13

Instagram/@ewertoninha
Alvo de uma operação do Ministério Público de São Paulo (MPSP) no início do ano, o vereador de Ferraz de Vasconcelos, na Grande São Paulo, Ewerton de Lissa Souza (Podemos), conhecido como Ewerton Inha, promoveu um evento de apoio à campanha do deputado federal Rodrigo Gambale, líder do Podemos na Câmara e candidato à reeleição.
Ewerton Inha foi alvo de busca e apreensão da Operação TAC, deflagrada em janeiro pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do MPSP, que mirou um suposto esquema de corrupção e desvio de R$ 24 milhões dos cofres da prefeitura de Ferraz.
A operação foi um desdobramento da Operação Munditia, desencadeada em 2024 para investigar fraudes em licitações orquestradas pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) e que teve entre os alvos o pai de Ewerton Inha, que é ex-vereador e foi preso à época sob a acusação de integrar um grupo envolvido com fraudes de mais de R$ 200 milhões em licitações do Executivo associadas ao crime organizado.
De acordo com o Ministério Público, não há indícios claros de que os investigados na operaçao TAC têm ligação com o PCC, porém há evidências de que suspeitos investigados na Operação Munditia também pudessem atuar no esquema de corrupção descoberto recentemente.
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Por conta da operação, Inha foi afastado por 180 dias do mandato de vereador. Em agosto, retornou ao cargo após autorização da Justiça. Em contato com a coluna, o vereador não quis se manifestar.
Evento com prefeita
O evento de apoio a Gambale ocorreu na última segunda-feira (28/9), em um imóvel onde antes funcionava a Câmara Municipal da cidade. O candidato enviou um vídeo, que foi exibido aos presentes.
Além do deputado, o candidato a deputado estadual Kaká do Autismo, dobrada de Gambale, também foi agraciado com o apoio. Ele esteve no local. Outra figura presente foi a atual prefeita de Ferraz de Vasconcelos, Priscila Gambale, irmã de Rodrigo.
Na operação que mirou Ewerton Inha, o MPSP apontou que, com correção monetária e juros, a Prefeitura de Ferraz de Vasconcelos pode ter deixado de ganhar cerca de R$ 43 milhões por causa do esquema criminoso. Após a deflagração da medida, além do vereador, foram afastados por 180 dias os secretários de Administração e da Fazenda do município.
Em nota, a campanha de Rodrigo Gambale e de Kaká do Autismo afirmou que as candidaturas recebem, “de forma espontânea, manifestações de apoio de diferentes vereadores, lideranças e cidadãos de Ferraz de Vasconcelos”.
“O apoio é uma manifestação individual e não representa vínculo das campanhas com eventuais questões pessoais ou judiciais de seus apoiadores. No caso citado, o vereador teve seu retorno ao mandato autorizado pela Justiça. As candidaturas respeitam as instituições, as decisões judiciais e o devido processo legal”, disse.
Já a Prefeitura de Ferraz de Vasconcelos disse que o vereador encontra-se atualmente no exercício regular do mandato e que respeita as decisões do Poder Judiciário e o devido processo legal.
“A Prefeitura de Ferraz de Vasconcelos esclarece que o encontro mencionado não integrou a agenda institucional do município. A participação da prefeita Priscila Gambale ocorreu no âmbito de sua atividade político-partidária, sem relação com o exercício de suas funções administrativas”, afirmou a gestão municipal.
Operação TAC
- Segundo o Ministério Público, as investigações apontaram para um conluio entre agentes públicos e um empresário para a celebração de dois Termos de Ajustamento de Conduta (TACs) no âmbito da Prefeitura de Ferraz de Vasconcelos.
- De acordo com a investigação, a suspensão de certidões de dívida ativa da empresa que assinou os TACs, decorrentes de autos de infrações ambientais, e a desistência de demandas judiciais pelo município, foram motivadas por suposto pagamento de propina. Em ambos os acordos, a empresa assumiu obrigações ambientais, que aparentemente não foram cumpridas.
- As investigações apontam que a dívida da empresa, negociada entre os investigados, superava os R$ 24 milhões.
- “Em troca da celebração dos dois termos de ajustamento de conduta, que prevê obrigações de reparação de danos ao meio ambiente, foi acordada a suspensão da cobrança da dívida mencionada, a desistência de demandas judiciais e o pagamento de propina a agentes públicos, entre eles secretários e um vereador, e terceiros com influência política na cidade”, apontou o órgão.
- Hoje, com correção monetária e juros, o Ministério Público acredita que a Prefeitura de Ferraz de Vasconcelos deixou de ganhar cerca de R$ 43 milhões por causa do esquema criminoso.
- Os dois TACs foram celebrados e o pagamento da propina teria ocorrido mediante a emissão de notas fiscais em nome de pessoas jurídicas, algumas de fachada, e a transferências de valores, de acordo com a investigação.
- Uma empresa terceirizada teria sido contratada para intermediar as negociações dos TACs. Inicialmente, o contrato foi fechado em R$ 500 mil, mas evoluiu para um acordo de R$ 750 mil.
- “Pelo que foi apurado, aparentemente se trata de um valor que já foi pulverizado entre os interessados nesse ajuste ilícito”, afirmou a promotora de Justiça Flávia Rigolo.

