O Africa Corps (em russo: Африканский корпус) é um grupo paramilitar expedicionário russo controlado e gerido pelo governo russo, destinado a apoiar a influência política russa e governos alinhados com a Rússia em África. O corpo assumiu em grande medida as operações do Grupo Wagner em África, absorvendo e reformulando as suas estruturas.

História O Africa Corps foi criado pelo Ministério da Defesa russo, pouco depois da morte e possível decapitação da liderança do Wagner pelas autoridades russas em 2023, quando um avião com o seu líder, Ievgueni Prigojin, caiu. Ao fazê-lo, o Ministério da Defesa abriu caminho a uma tomada de controlo governamental completa do sector das empresas militares privadas na Rússia, após a anterior rivalidade entre o Ministério da Defesa russo e o Wagner. O Africa Corps recebeu o nome do Afrika Korps, uma força expedicionária da Alemanha Nazi destacada para o Norte de África durante a Segunda Guerra Mundial. A formação coopera com outras estruturas controladas pelo governo, como a "Brigada dos Ursos" em África. Konstantin Mirzayants, alegado líder da Redut, estará, segundo relatos, estreitamente envolvido nas operações do Ministério da Defesa em África e na criação do Africa Corps. O Ministério da Defesa do Reino Unido afirmou que o Africa Corps também foi destacado na ofensiva de Carcóvia de 2024, durante a Guerra Russo-Ucraniana.

Organização A criação do corpo faz parte de uma estratégia russa mais ampla para aumentar a sua influência em África, onde compete com os Estados Unidos no quadro de uma rivalidade geopolítica mais ampla. O Africa Corps opera através de uma combinação de mercenários e voluntários, e as estimativas sobre a sua dimensão variam. O Africa Corps tem um papel menor e mais integrado em comparação com o Wagner, concentrando-se no fornecimento de apoio militar, treino e cooperação urbana de contraterrorismo com governos locais alinhados com a Rússia em países como a Líbia, o Mali, o Burquina Fasso, o Níger e a República Centro-Africana. O governo russo pretende usar esta entidade para projectar influência, preenchendo o vazio de segurança deixado pela retirada das potências ocidentais, especialmente a França, da região do Sahel. A Rússia procura também obter controlo sobre recursos estratégicos como o urânio, particularmente no Níger, bem como alavancar rotas migratórias para fins geopolíticos.

Sanções Em novembro de 2024, o Reino Unido sancionou o Africa Corps juntamente com a formação Espanola e a 81.a Brigada de Forças Especiais. Segundo o secretário dos Negócios Estrangeiros David Lammy, o objectivo é combater actividades ilegais russas, dificultar a desestabilização de países africanos e interromper o abastecimento do esforço de guerra russo na Ucrânia.

Actividades

Principais áreas África: Aliança dos Estados do Sahel (Mali, Burquina Fasso, e Níger), Líbia e República Centro-Africana Europa: Ucrânia e Rússia

Por país

Mali Em dezembro de 2024, o Ministério da Defesa russo destacou 1 000 soldados do Africa Corps para o Mali, enquanto 1 500 do Grupo Wagner, comandados por Ruslan Sergeevich Zlobin, ainda se encontravam no país. Os wagnerianos foram destacados principalmente no norte do país, enquanto o Africa Corps se concentrou em Bamaco e no centro. Em 6 de junho de 2025, o Grupo Wagner, controlado pelo governo, anunciou a sua saída do Mali, com o Africa Corps a continuar as operações russas de apoio à junta militar maliana. O Africa Corps tornou-se então a única força russa presente no país. Vários dirigentes do Wagner, no entanto, passaram para o Africa Corps com alguns dos seus homens, incluindo Andrei Ivanov, conhecido como "Kep", Ruslan Zaprudsky, conhecido como "Rusich", e Alexander Kuznetsov, conhecido como "Ratibor". Segundo autoridades dos Estados Unidos, cerca de 2 000 soldados de ambos os grupos paramilitares encontravam-se no Mali. Segundo alguns refugiados malianos, o Africa Corps cometeu atrocidades como o incêndio de aldeias, violação colectiva e escravidão sexual, e outros abusos, como decapitações e raptos. No início de dezembro de 2025, uma rapariga de 14 anos afirmou ter sido violada por combatentes do Africa Corps que irromperam na tenda da sua família no Mali. Em 21 de abril de 2026, o Ministério da Defesa russo informou que o corpo resgatou dois funcionários de uma empresa russa de exploração geológica que tinham sido raptados pela Jama'at Nusrat al-Islam wal-Muslimin no Níger dois anos antes. Quatro dias depois, em 25 de abril, um helicóptero pertencente ao corpo foi abatido pela Frente de Libertação do Azawad, tendo morrido tanto a tripulação como o grupo móvel de fogo transportado durante os Ataques no Mali em 2026. Na sequência dos ataques, o Africa Corps abandonou Kidal.

Burquina Fasso Em 24 de janeiro de 2024, militares do Africa Corps da Rússia, destinados a substituir o Wagner, chegaram ao Burquina Fasso para prestar segurança, incluindo ao presidente interino Ibrahim Traoré. Estaria previsto que os 100 efectivos fossem aumentados para 300. Foi revelado que uma base militar do Africa Corps foi estabelecida em Loumbila, a nordeste da capital do Burquina Fasso, Uagadugu.

República Centro-Africana No início de 2025, a Rússia exigiu que a República Centro-Africana substituísse as forças remanescentes do Wagner pelo Africa Corps. Em meados de 2025, o Africa Corps substituiu o pessoal do Grupo Wagner na República Centro-Africana.

Madagáscar A delegação russa chefiada pelo Africa Corps reuniu-se, em dezembro de 2025, com o presidente interino de Madagáscar, Michael Randrianirina. Durante a reunião, a delegação e Randrianrina negociaram protecção pessoal para o presidente. Em janeiro de 2026, a Rússia enviou equipamento militar e pessoal para treinar as Forças Armadas de Madagáscar.

Referências