Matheus Leitão

Imagem da matéria: Aliados de Lula temem suspensão de canal de Janones durante debate da Globo
Imagem da matéria: Aliados de Lula temem suspensão de canal de Janones durante debate da Globo · Imagem: Reprodução

Kassio deu 24 horas para Meta apresentar relatório; aliados temem suspensão do canal durante o debate da Globo, na reta final da campanha

Aliados de Lula temem suspensão de canal de Janones durante debate da Globo
Aliados de Lula temem suspensão de canal de Janones durante debate da Globo · Imagem: Source: www.metropoles.com

Matheus Leitão

23/10/2026 12:47

Reprodução

Aliados do presidente Lula mobilizam um abaixo-assinado contra uma eventual suspensão do canal Exército do Lula no WhatsApp. A preocupação nos bastidores é que uma decisão individual do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, interrompa a mobilização digital na reta final do segundo turno, sem análise prévia do plenário.

Nesta quinta-feira (22/10), Kassio concedeu prazo de 24 horas para a Meta apresentar um relatório técnico sobre o funcionamento do canal, atendendo a um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro. O requerimento já estava no tribunal havia alguns dias, mas não foi submetido ao colegiado.

Um dos argumentos apresentados contra o canal seria que a mobilização dos seguidores “treinaria o algoritmo”, produzindo uma vantagem que os autores do pedido classificariam como fraudulenta. Os aliados de Lula contestam essa interpretação e veem uma tentativa de interromper a atuação organizada dos apoiadores nas redes.

O momento escolhido para cobrar as informações é central na preocupação da campanha. O plenário se reuniu presencialmente na quinta-feira, mas não há sessão presencial nesta sexta-feira (23/10), quando termina o prazo concedido à Meta e ocorre o debate da Globo.

O temor é que, depois de receber o relatório, Kassio determine a suspensão do canal durante o debate. Na avaliação dos aliados de Lula, a medida prejudicaria a distribuição de conteúdos, a resposta aos ataques e a mobilização dos apoiadores em um dos momentos mais importantes da campanha.

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Uma eventual análise colegiada poderia até ocorrer em sessão virtual. Não está claro, porém, se Kassio encaminharia o caso para esse formato, tomaria uma decisão monocrática ou remeteria a questão a outro ministro, como André Mendonça. São esses os cenários que preocupam os interlocutores da campanha.

A pergunta feita nos bastidores é por que o pedido não foi levado ao plenário enquanto havia sessão presencial, já que o requerimento da campanha de Flávio não é novo. O receio é que uma eventual suspensão tenha efeito imediato sobre a mobilização dos apoiadores de Lula nos últimos dias da disputa.

O histórico ajuda a explicar a apreensão. Kassio já havia determinado a suspensão do Exército do Lula. Em (11/10), o corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, reverteu a medida e determinou a reativação do canal.

Posteriormente, a área técnica do próprio TSE não encontrou, nas publicações examinadas entre (2/10) e (11/10), os conteúdos apontados como falsos na ação. O relatório registrou, contudo, atuação coordenada para disseminação de conteúdo e ressalvas sobre a linguagem empregada nas mensagens.

Como mostrou a coluna em (21/10), técnicos do TSE avaliaram que a proposta discutida por Kassio e André Mendonça para suspender grandes canais políticos no WhatsApp tinha como alvo o Exército do Lula. Os técnicos ouvidos fazem parte do grupo que analisou as publicações do canal, a pedido do próprio Kassio, e não encontrou, no período examinado, os conteúdos apontados como fake news pela campanha de Flávio Bolsonaro.

A minuta previa suspender canais político-eleitorais com mais de 200 mil seguidores nas 48 horas anteriores à eleição e nas 24 horas posteriores. Na ocasião, Kassio afirmou ser contrário a mudanças de última hora. O gabinete de Mendonça sustentou que os critérios discutidos eram objetivos, impessoais e aplicáveis a qualquer orientação política.

Agora, a preocupação se concentra no desdobramento do relatório solicitado à Meta. A empresa já havia informado à campanha de Flávio que não encontrou irregularidades. Os advogados do candidato questionaram os critérios utilizados e o período analisado.

Diante desse quadro, aliados passaram a divulgar o abaixo-assinado “8 milhões de pessoas: o Exército do Lula não pode ser silenciado”, disponível na plataforma Change.org. Segundo um interlocutor da campanha, a iniciativa busca garantir apoio para encaminhar ao tribunal.

A mobilização também chegou ao X. No momento da publicação, quatro hashtags contra a tentativa de derrubar o canal Exército do Lula ocupavam os quatro primeiros lugares dos assuntos mais comentados da rede social.