Excelências, distinguidos convidados, queridos amigos,. Gostaria de me juntar a você pessoalmente na Política Europeia do Património Agora 2026 mas devido a inevitáveis obrigações institucionais, não posso estar lá com você. Você entende muito bem como o nosso Mare Nostrum nunca foi apenas um mar. Sua história única tornou- a um espaço vivo de intercâmbio, comércio, criatividade, coexistência e diálogo.

Ao longo dos séculos, o Mediterrâneo conecta a Europa, o Norte da África e o Levante através do conhecimento, cultura e encontros humanos. Hoje, no entanto, este espaço compartilhado enfrenta desafios profundos: tensões geopolíticas, conflitos armados, degradação ambiental e os efeitos acelerados das alterações climáticas. Neste contexto, a herança cultural não é um luxo do passado. É um recurso estratégico para o futuro.

Esta crença está no centro do Pacto para o Mediterrâneo e do seu Plano de Ação. O Pacto reconhece a cultura e o património como pilares essenciais para construir sociedades resilientes, promover o entendimento mútuo e reforçar a cooperação regional. O património pode servir como uma ponte de uma forma única e irreplaceable. Ele pode ajudar a restaurar a confiança, promover a reconciliação e reforçar o sentido de responsabilidade compartilhada que a nossa região necessita. Herança e sustentabilidade são inseparáveis.

A erosão costeira, o aumento do nível do mar, a perda de biodiversidade e a deterioração ambiental ameaçam não só os ecossistemas, mas também as paisagens culturais, os locais históricos e as tradições vivas que definem a identidade mediterrânica. É por isso que devemos integrar integralmente o patrimônio cultural na ação climática e nas políticas de transformação verde. Devemos fortalecer as parcerias euro-mediterrânicas, apoiar a inovação digital na preservação do património, e empoderar os jovens e as comunidades locais através de habilidades, criatividade e cooperação cultural. Chipre oferece uma configuração particularmente significativa para esta discussão. O seu histórico reflete tanto a dor da divisão como a esperança duradoura de reconciliação.

Ele nos lembra que a herança pode se tornar um poderoso instrumento para a construção da paz e o diálogo. É um poderoso instrumento para o turismo sustentável e criação de emprego, para todas as gerações. Portanto, reafirmemos juntos que a alma do nosso Mare Nostrum não está no que nos separa, mas no que compartilhamos. E vamos garantir que o património cultural continue sendo uma força para a paz, a resiliência, a sustentabilidade e a conexão humana em todo o Mediterrâneo.