Peltaspermales é uma ordem extinta de plantas com sementes, frequentemente classificadas como “samambaias com sementes”. O grupo existiu desde o Carbonífero Superior até o Jurássico Inferior, podendo ter persistido até o limite entre o Jurássico e o Cretáceo.
Classificação e taxonomia A ordem inclui ao menos uma família formalmente reconhecida, Peltaspermaceae, registrada do Permiano ao Jurássico Inferior. Essa família é caracterizada por plantas com folhas atribuídas ao morfogênero Lepidopteris, órgãos produtores de pólen do tipo Antevsia e órgãos ovulados do tipo Peltaspermum. Atualmente, também inclui outros gêneros, como Peltaspermopsis, Meyenopteris e Scytophyllum. Além da Peltaspermaceae, são reconhecidos dois agrupamentos informais de afinidade taxonômica incerta:
“Supaioides”, centrados no gênero Supaia. “Comioides”, centrados no gênero Comia. Esses grupos são conhecidos do começo do Permiano do Hemisfério Norte, especialmente da América do Norte. Tanto os Supaioides quanto os Comioides estão associados ao órgão ovulado Autunia (também denominado Sandrewia), típico de peltaspermas. O gênero Pachydermophyllum, datado do Triássico Superior ao Jurássico Médio, também pode apresentar afinidades com as peltaspermas.
Morfologia A morfologia foliar das peltaspermas é altamente variável. As folhas podem ser profundamente divididas e pinadas, lembrando samambaias, ou apresentar formas bifurcadas e até mesmo simples. Muitas espécies possuem estômatos monocíclicos com células subsidiárias em forma de cunha, terminando em uma papila semelhante a um bico que se projeta sobre as células-guarda. Esse tipo de estrutura também ocorre em outros grupos de plantas com sementes. Os órgãos portadores de sementes geralmente apresentam formato de leque ou são peltados, isto é, com a estrutura reprodutiva inserida centralmente em uma superfície discoide ou em forma de escudo.
Relações filogenéticas Ainda não se sabe se as Peltaspermales constituem um grupo monofilético. A posição filogenética da ordem dentro das plantas com sementes permanece incerta. Alguns autores sugeriram afinidades entre determinadas peltaspermas e as Corystospermales, outro grupo extinto de “samambaias com sementes”. Em 1987, o paleobotânico russo Sergei Meyen propôs que as Peltaspermales seriam ancestrais das Ginkgoales, com base em semelhanças entre certos gêneros de peltaspermas (Tatarina, Kirjamkenia, Stiphorus e Antevsia) e o gênero extinto de ginkgo Glossophyllum. Meyen incluiu ambos os grupos na classe Ginkgoopsida. Estudos posteriores, contudo, consideram incerta essa hipótese e mantêm a posição filogenética do grupo como indefinida.
Polinização Há evidências de que ao menos algumas peltaspermas eram polinizadas por insetos. Fósseis do Permiano da família Protomeropidae, pertencente à ordem Mecoptera, encontrados na Rússia, foram associados a pólen de peltaspermas. Sugere-se que esses insetos se alimentavam de gotas de polinização produzidas pelos órgãos reprodutivos dessas plantas, promovendo assim a polinização.
História evolutiva Durante o final do Paleozoico, as peltaspermas são registradas principalmente no Hemisfério Norte. O morfogênero Lepidopteris surgiu nessa região durante o Permiano Superior. No Triássico, Lepidopteris tornou-se amplamente distribuído e particularmente abundante no Triássico Superior. Suas populações sofreram um colapso durante a extinção em massa do final do Triássico. Pequenas populações persistiram na região da Patagônia até o Jurássico Inferior. Registros do gênero Pachydermophyllum, bem como espécimes atribuídos a Lepidopteris? provenientes da Formação Battle Camp, na ilha de Clack, datados do final do Jurássico ou início do Cretáceo, sugerem uma possível sobrevivência prolongada do grupo em áreas de Gondwana.
Ver também Corystospermales Ginkgoales Plantas com sementes
Referências